Friday, June 28, 2019

Os teus olhos 
da cor não definível das coisas da terra 
e o olhar semicerrado cujas palavras não me dizia.
As tuas mãos mornas não eram suficientes para sanar
o frio da minha alma.
Eu percorria os teus dedos longos com os meus lábios
e sentia o gosto doce da ilusão.

Dos questionamentos que me fiz
todos ainda calados pelos minutos a correr:
Como seria se tivesse existido mais de nós dois?
Como seríamos sabendo das profundezas de sonho
guardadas aqui dentro em segredo?



Como nasce uma ilusão?
A minha simplesmente esperava-me 
na esquina da praça central
em uma tarde fria de outono. 






Quem eras tu na escuridão do tempo 
em meio a tantos ruídos da noite
nas passadas ágeis sem rumo
pelas ruas?
Quem eras tu ao falar sem que me dissesses uma palavra 
ao afirmar me negando
ao estar sem que de fato estivesses?
Eu me pergunto quem eras e por que não se manteve 
distante 
como na recordação branda dos tempos de outrora?