Tuesday, June 14, 2022

 jaz o tempo, na sua caixa indecifrável de silêncios e partidas.

repousa e suspira ao término de mais um entardecer.

espreita na calada da noite a despedida da criança;

a desesperança da jovem mulher;

a angústia pelo fim das coisas e pelo início de outras outras tantas.

desespera os já desesperados e acalma os intranquilos;

os que esperam e os que não acreditam mais.

o tempo rastejante ensina e castiga

e pune os errantes e desatentos.

leva tempo para aprender

e há quem nunca haverá de saber como se faz:

viver.


 diálogo com um aluno:

ele: tá bagunçado.

ela: só o caderno ou a vida?

ele: a vida também.

ela: por quê?

ele: tô fazendo a papelada pra adoção. Eu moro na casalar, minha mãe morreu e meu pai é viciado.


ps: sobre escutar uma parte do mundo que cada um leva dentro. em meio ao caos que é a vida.

Saturday, February 5, 2022

 Sábado, 11 da manhã. 

Na dúvida se como um iogurte ou se bebo meia garrafa de gim.

Pela janela uma alma aprisionada

Uma imensidão vazia

E uma vida toda pelo caminho errado.

Tuesday, December 7, 2021

 A poesia me conta um sonho.

Macio o caminhar das palavras no espaço/tempo

Descubro a cada dia que passa

A mesma alma ainda criança

cantarolando uma canção que invento e esqueço.

Mas, da poesia me encanto em sonho:

no abandono do que sou, do que vivo no agora.

Esse caminhar lento das palavras

que no meu corpo/alma avança

Só a poesia me alcança.

Monday, July 12, 2021

Em breve tudo isso será apenas uma lembrança repousando sob a poeira do passado.

Monday, May 10, 2021

 ... Para ler e meditar durante toda uma vida:

“Então, Almitra disse: 'Fala-nos do amor' E ele ergueu a fronte e olhou para multidão, e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse: „Quando o amor vos chamar, segui-o‟, Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados; E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe, Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos; E quando ele vos falar, acreditai nele, Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim. Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para vosso crescimento, trabalha para vossa poda. E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol, Assim também desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra. Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração. Ele vos debulha para expor vossa nudez. Ele vos peneira para libertar-vos das palhas. Ele vos mói até a extrema brancura. Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis. Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino. Todas essas coisas, o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações e, com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino. Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor, Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez e abandonásseis a eira do amor, Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas. O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio. O amor não possui, nem se deixa possuir. Pois o amor basta-se a si mesmo. Quando um de vós ama, que não diga: 'Deus está no meu coração', mas que diga antes: 'Eu estou no coração de Deus.' E não imagineis que possais dirigir o curso do amor pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso. O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude. Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam estes os vossos desejos: De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite; De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada; De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor E de sangrardes de boa vontade e com alegria; De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor; De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor; De voltardes para casa à noite com gratidão; E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança.” (Khalil Gibran)


De olhos fechados
minha alma brilha no escuro
e vai percorrendo 
as ruas estreitas do tempo. 
Senti a vida que me foi dada 

como um presente

na palma da minha mão 

Fluindo como água
Brilhando e correndo
Na palma da minha mão.